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Baita Chateação - Ricardo Azevedo

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Se Júlio é diferente de Rodrigo Artur é diferente de José Alfredo é diferente de Alexandre E Carlos diferente de Tomé Maria é diferente de Amanda Luiza é diferente de Irene Marcela é diferente de Fernanda E Bruna não tem nada de Marlene E Pedro e Juliana, que dizer? São todos diferentes entre si Agora, então, pergunto a você Se são tão diferentes, e daí? Um mundo todo igual seria um crime O mesmo gosto, sonho e opinião Torcia todo mundo pra um só time Meu Deus do céu, que  baita chateação!

O Pato tira retrato - Mário Quintana

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O pato ganhou sapato. Foi logo tirar retrato. O macaco retratista Era mesmo um grande artista. Disse a o pato: “não se mexa Para depois não ter queixa”. E o pato, duro e sem graça Como se fosse de massa! “Olhe pra cá direitinho: Vai sair um passarinho”. O passarinho saiu, Bicho assim nunca se viu. Com três penas no topete E no rabo apenas sete.

Rita, não grita! - Flávia Muniz

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Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

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Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo  até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?) Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com chei...

Cidadezinha Qualquer - Carlos Drummond de Andrade

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Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus.

A História da Matemática com a Turma da Mônica

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Vamos aprender um pouco mais sobre a matemática,  com a Turma mais amada do Brasil!!! https://youtu.be/gPM1kkRS8zc
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António Torrado (A Parede com Ouvidos) (Da Seleção de Contos Infantis) Era uma vez uma parede que tinha ouvidos. Nada de estranhar. Há gente que se pela por contar segredos, próprios ou alheios, sem ligar ao aviso dos mais prudentes: “Cuidado que as paredes têm ouvidos”. Alguma vez acabaria por ser verdade. Esta tinha ouvidos e até olhos, calculem. Só lhe faltava a boca e, já agora, o nariz. Espessa e toda fechada, sem portas nem janelas, acumulava o que via e ouvia no cerrado dela mesma, no mais dentro das pedras e do cimento de que era feita. – É uma parede fixe – diziam as pessoas, espalmando as mãos na parede que, já se vê, não dava de si. Até que um dia, houve uma festa na aldeia, festa a valer, com foguetório, música na praça, artistas vindos de fora e bailarico até altas horas. Um dos alto-falantes da instalação sonora foi aplicado à parede que tinha ouvidos. A meio da musicata, ouviu-se uma voz dizer em segredo, mas de mod...
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8 DE NOVEMBRO DE 2012 · 15:21 António Torrado (A Ferradura) Ilustração: Cristina Malaquias (da Seleção de Contos Infantis) Era uma vez uma velha ferradura. Um senhor encontrou-a, levantou-a do chão e meteu-a no bolso do sobretudo. – É para dar sorte – disse o senhor de si para si, muito convencido do que dizia. Quando chegou a casa e a mulher foi pendurar o sobretudo no cabide é que foram elas. – Tens o sobretudo tão pesado, homem – intrigou-se ela. O senhor explicou o porquê: – É para dar sorte. – Se dá sorte, não sei – respondeu a ela. – O que sei é que o peso da ferradura rompeu o bolso do sobretudo. Tirá-la de dentro do forro vai ser o cabo dos trabalhos. O senhor, pacientemente, recuperou a ferradura do sobretudo, que foi para coser, e pendurou-a num prego atrás da porta. – É para dar sorte. No dia seguinte, ia ele a entrar em casa com a mulher, e a porta não se abriu. Porque seria, porque não seria… T...

Adivinha Quanto Eu Te Amo - Sam McBratney

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A Menina e o Burro - António Torrado

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Era uma vez uma menina que conhecia o campo, mas de longe. Vira-o, uma vez, de passagem, da janela de um automóvel. Vira-o, mais vezes, de corrida, nos ecrãs da televisão. E vira-o, outras vezes, disfarçado de paisagem, nas folhas das revistas e nas tampas das caixas de chocolate. Esta menina, afinal, não conhecia o campo a sério. Por isso, da primeira vez que foi ao campo, da primeira vez que pisou o chão rugoso do campo e respirou o ar vivo do campo e os cheiros todos do campo, a menina ficou, há que confessar, a menina ficou um tanto atordoada.  Tropeçou numa pedra, comichou-lhe o nariz e picou-se nas urtigas. Mas, apesar destes contratempos, a menina, verdade se diga, não desgostou da experiência. É que havia muita coisa para ver. Havia folhas que estalavam, quando ela as pisava. Havia carreiros de formigas, flores sem nome, canaviais bulindo, árvores ramalhando e, não muito além do caminho por onde a menina seguia, um burrito de orelhas espantadas. Tinha o pê...